Emprego e Varejo

22/03/2011 às 12:35 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Marcos Gouvêa Diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza

Fonte: Brasil Econômico

Em 2010, segundo as informações do Ministério do Trabalho, antecipando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram gerados 2,5 milhões de empregos formais no país, dos quais 19,8% no comércio varejista. O setor público segue como o maior empregador formal no País, com 8,8 milhões de pessoas; seguido do varejo, com 6,9 milhões. Esse, porém, é o que apresenta o maior crescimento, permitindo prever que deverá continuar se expandindo nos próximos anos.

O emprego no Brasil vive um momento particularmente efusivo, com taxas de desemprego muito baixas em níveis históricos (5,3% em dezembro e 6,7% na média do ano), abaixo dos 8,1% de 2009 e dos 7,9% de 2008, resultado do crescimento econômico que o país viveu nos últimos anos, a despeito da crise global. O que justifica essa expansão e o crescimento formal do emprego no varejo é a expansão do próprio setor, que atingiu 10,9% em 2010, depois de ter subido 5,9% em2009, embalado pelo aumento da oferta de crédito, pela melhoria da renda real da população, pela expansão do emprego e pelo crescimento da confiança do consumidor. Essa soma de fatores tem feito crescer o consumo das famílias e, consequentemente, as vendas do varejo.

Diferentemente de muitos outros setores econômicos, nos quais o crescimento se faz cada vez mais com a incorporação de mais tecnologia, automação, robotização e outros recursos, o varejo, ao expandir, é obrigado a contratarmais nas lojas, centros de distribuição, serviços financeiros e infraestrutura, além de gerar empregos emtoda a cadeia de abastecimento, envolvendo fornecedores de produtos e serviços.

Os quase 140 mil funcionários diretos do Grupo Pão de Açúcar, maior varejista do país, são quase o dobro de todo o emprego gerado na indústria automobilística.

No entanto, quando o governo, no final de 2008, procurava alternativas para ativar a economia local ante o perigo de contaminação pela crise global, a primeira alternativa colocada em prática foi a redução do IPI para a indústria automobilística, demonstrando a falta de sensibilidade para quem é de fato o maior gerador privado de empregos. Não fosse o trabalho do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) mostrando essa realidade, não teria havido a extensão desse benefício para os eletrodomésticos, produtos de apelo muito mais popular, posteriormente estendido para os materiais de construção e,mais tarde, para os móveis.

O setor varejista deverá continuar liderando o crescimento do emprego privado – apesar da expansão dos negócios via internet – de forma objetiva para melhorar os serviços e os negócios, atingindo novos mercados, novos consumidores, novas realidades.

Um pouco mais de sensibilidade e conhecimento dessa realidade, seguramente poderiam ajudar o setor varejista a contribuir ainda mais para a expansão econômica do país. É só uma questão de grandeza.

Um mínimo de bom senso e visão.

“O setor varejista deverá continuar liderando o crescimento do emprego privado – apesar da expansão dos negócios via internet”

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